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20jan/120

A volta por cima do setor imobiliário

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O estouro da bolha imobiliária nos Estados Unidos desencadeou uma onda de desconfiança no mercado, já no fim de 2007, quando os primeiros sinais começaram a aparecer, na forma da quebra de agentes financeiros que negociavam ou garantiam empréstimos e hipotecas habitacionais com alto risco de inadimplência - as subprimes. "Essas quebras, por outro lado, deram-se muito mais pela facilidade com que o setor bancário emprestava dinheiro, tendo como garantia imóveis dos tomadores, do que por uma suposta oferta excessiva de imóveis", explica o advogado e consultor Carlos Alceu Machado.

A já esperada retração da economia americana levou aos calotes em série, que resultaram em execuções de hipotecas dos devedores. O grande volume de imóveis retornados ao mercado pelos bancos, aliado ao fato do setor imobiliário sobrevalorizado, como acontece em qualquer nação de economia superaquecida, explica o consultor, fez com que houvesse uma reação em cadeia descendente. Os ricos retraídos, uma classe média sem recursos para investir e oferecimento excepcional de imóveis usados (e caros) resultaram no inchaço e na explosão da bolha.

O problema no mercado imobiliário, pontua Machado, não foi causa da crise, mas conseqüência. Inundado por imóveis cujo valor inicial já não se mantinha, inesperadamente repostos à venda, o mercado viu-se sem compradores, e, com a lei da oferta e da procura ainda vigorando, os preços venais começaram a cair, deixando o sistema financeiro dos EUA ainda mais a descoberto, sem garantias dos seus haveres (aqui, chamamos isso de "créditos podres"). O governo federal obrigou-se a injetar um montante superior a US$ 1 trilhão nas instituições bancárias para evitar o mal maior: a falência generalizada do sistema.

Em vez de trazer prejuízos ao Brasil, a situação fez com que muitos investidores do Primeiro Mundo desembarcassem seus recursos no País, cuja estabilidade econômica e bom desempenho financeiro - passando da condição de devedor inadimplente para a de credor do Fundo Monetário Internacional - já vinham sendo destacados internacionalmente.

Tal circunstância, associada à decisão do presidente Lula de implementar um vasto programa habitacional subsidiado para as classes C e D e de abrir os cofres para financiamentos destinados à classe média, fizeram com que o mercado imobiliário brasileiro passasse a viver um certo boom, conquanto bem controlado e com riscos absolutamente normais. Não é à toa, pois, que o noticiário especializado e os cadernos de classificados imobiliários dos jornais mostram um contínuo crescimento na compra, venda e locação de imóveis novos e usados.

Para o consultor Eduardo Lima, da NPI - Negociação Personalizada de Imóveis, o otimismo no setor imobiliário no Brasil é grande. Os números positivos mostram que o setor sofreu muito pouco com a crise mundial. Aqui, afirma o consultor, é o lugar para se investir. Segundo Lima, o setor imobiliário crescendo acima da média foi um dos fatores contribuíram com esse resultado positivo do Brasil mediante a crise.

"Estávamos em pleno "boom imobiliário" quando a crise aconteceu, tanto que estava faltando mão de obra na construção civil. A política diferenciada de financiamento bancário trouxe segurança aos bancos, e os incentivos financeiros do governo às classes mais pobres manteve aquecidos os motores no setor, refletindo também nos imóveis de médio e alto padrão. Com a soma desses fatores positivos, o mercado teve apenas uma pequena retração, voltando a acelerar novamente no inicio do segundo semestre", analisou.

Como o País se comportou positivamente diante da crise mundial, houve continuidade de entrada de capital de grandes investidores no setor imobiliário. De olho nesse momento positivo do mercado imobiliário do Brasil, empresas estrangeiras como a RE/MAX e a Century21, que já atuavam em outros países como franquias intermediadoras de negócios, chegaram ao País. Elas estão apresentando e apostando num padrão já formatado para conquistar o mercado brasileiro e concorrer com empresas nacionais, que também já haviam atentado para o sistemas de franquias.

Fonte: ReMax

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